3 lições da "greve" dos camionistas

3 lições da "greve" dos camionistas

Agora que parece ter terminado o lockout das empresas de transporte rodoviário de mercadorias, ou empresas de camionagem, creio que podemos retirar alguma lições do que se passou:

  1. a mobilização e agressividade dos piquetes paralisadores foram muito menores do que da última vez;
  2. o impacto na opinião pública também foi menor. Já não era novidade, como da última vez. Nota-se também um sentimento do género “isto está tão mau para todos, porque devia ser diferente para eles?”;
  3. o impacto nas “prateleiras” do retalho foi muito menor. Por um lado, a duração foi menor, por outro, as empresas responsáveis pela logística de distribuição já tinham preparado planos de contingência.

Na realidade, podíamos aprofundar esta discussão por outras vias:

  • a crescente concentração na distribuição alimentar (e noutros sectores importantes) retirou importância às pequenas empresas de transportes rodoviários. Foram só essas empresas que fizeram lockout, por isso o mesmo teve pouco impacto;
  • as pequenas empresas são as que realmente sofrem com a subida dos combustíveis, porque não têm poder de negociação que lhes permita reflectir o aumento do custo nos clientes. Por isso, precisam fazer estas chantagens sobre o cidadão e o contribuinte.

Ou seja, tudo reunido, este lockout (algo que a constituição portuguesa proíbe) parece ter tido menos impacto na vida dos portugueses do que o vulcão islandês de nome impronunciável.

Conhecem impactos mais profundos do que estes, provocados por esta “greve”?

PS: a esta hora ainda não consegui identificar quais foram as concessões do governo que levaram a um acordo, nem quanto vão custar aos bolsos do contribuinte.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *